M I N I - C O N T O

Já temos os resultados do 2º Trimestre. Desta vez, são atribuidos 3 primeiros prémios ex-aequo! Os mini-contos premiados são:

No luxo do lixo, de Ivanise de Oliveira Pinto Mantovani - do Brasil
Mente Soberana,
do reincidente Jorge Gomes da Silva - Portugal
Cocheiro,
de Silas Corrêa Leite [este conto integra uma colectânea
inédita de "continhos" intitulada "Vaca Profana"] - Brasil.

Ivanise Mantovani - Bancária (aposentada), é membro da Academia Literária Feminina de Porto Alegre e participa do Instituto Cultural Português Porto Alegre. Prémios e publicações: 1999 ˇ 1º lugar no Prêmio Talentos da Maturidade do Banco real ABN BANK - São Paulo, com o conto A Culpa de Ana Maria. 2000 ˇ (mesmo concurso) 3º lugar com o conto Uma Boca Voraz
Suga o Meu Seio
. Ainda em 2000 ˇ Classificada para ýPoemas nos ônibusţ com o poema Imagem.
2001 ˇ Menção Honrosa no Concurso Imagens de Quintana ˇ Medalha ýAmélia Oliveiraţ com o poema Olá Homem Passarinho.
Livros Publicados: Em 2000 1º solo de poemas O Vôo da Borboleta.
Participou de diversas antologias e tem poemas editados na França e traduzidos para o italiano. Contacto: [email protected]

Jorge Gomes da Silva, nas palavras do próprio: - Fui jornalista de rádio e imprensa durante uns anos valentes (como redactor; chefe de redacção; jornalista/locutor); que até hoje só publiquei escritos não-jornalísticos na internet (Portugal e sobretudo
Brasil) e que devo acabar o meu primeiro livro no final de Agosto (não é FC...) para depois percorrer o calvário das editoras.
E sou agente de seguros, e já fui vendedor de automóveis, e fui director
comercial de uma fábrica de mobiliário e artigos de decoração e fui ainda
vendedor de publicidade. Tudo isto interessa imenso aos potenciais leitores...
Silas Corrêa Leite - Professor, 48 anos, de Itararé-SP/Brasil, consta em várias antologias literárias em verso e prosa, até no exterior, ganhador de vários prêmios como poeta e contista, colabora com várias revistas, jornais, suplementos
culturais e sites de literatura, autor do Romance Ele Está no meio de nós, e
do e-book O Rinoceronte de Clarice, no site www.hotbook.com.br. Contactos: [email protected] - www.itarare.com.br

NO LUXO DO LIXO

MENTE SOBERANA

COCHEIRO

Ela entrou na loja de plásticos. Foi em direção à prateleira de lixeirinhas de mesa. Olhou uma, olhou outra, comparando as cores. Abriu e fechou tampas. Fez isso mergulhada num mundo à parte. Numa das mãos levava o retrato do marido, que foi jogado na lixeira azul. Na outra mão a foto do amante, e para esta coube a lixeira vermelha. Dos bolsos retirou cartas de amor; da bolsa uma paixão; também, cartelas de beijos e uma quantidade de promessas, daquelas para toda vida. Pegou a lixeira de cor verde, deslocou a tampa e lançou lá no fundo tudo aquilo, mais a aliança de casamento, imposição do primeiro e os brincos de brilhantes, presente do segundo. Colou na lixeira um rótulo:"Desesperanças". Sob o olhar atônito de balconistas e compradores, descalçou os sapatos, as meias. Desvestiu a blusa, a saia e tudo o mais que cobria sua nudez. Embrenhou-se na lixeira branca como quem sai para uma viagem sem retorno.

Ivanise Mantovani

A vontade de rir era irreprimível. Nem conseguia olhar para a espada que reluzia à luz das tochas encostada a um canto, tão cómica lhe parecia naquelas circunstâncias.
A todos guardara segredo da sua extraordinária capacidade, aguardando o momento ideal para dela se valer. Nunca esperou que a ocasião mais propícia se revelasse tão favorável. E nem imaginava as repercussões, caricatas, de um gesto tão simples.
Limitara-se a fechar os olhos diante da rocha e fingir que puxava a arma, sem no entanto chegar a tocar-lhe até a retirar por completo. Ninguém percebeu.
Pelo que conseguiu, era venerado por todos. Adolescente, nascido plebeu, sem ter demonstrado valor no campo de batalha, sem qualquer argumento que o justificasse, iam entregar-lhe o reino. Nada menos...
Empunhou a colher e fixou-a como fizera com a espada. Concentrado, Artur, cidadão de Camelot, não teve dificuldade em dobrá-la.

Jorge Gomes da Silva, Maio 2001

O cocheiro vestido de preto dos pés a cabeça veio buscar meu pai. Solicitei que esperasse eu me despedir totalmente. E estamos assim há três dias, sem tréguas que sejam, tentando uma reaproximação tardia.

Os vizinhos, as autoridades, as carpideiras e meus irmãos santos já reclamam o mau cheiro. No entanto, eu e meu finado pai Marceneiro ainda temos resistências para serem aplainadas.

Silas Correa Leite




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